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Buraco Negro


Pat apertou a tecla "Enter"! e enviou o e-mail!
Naquele momento, tudo escurecera à minha volta! Não mais conseguia achar a janela, não mais a via, meu desespero era tremendo, fiquei apavorado naquela escuridão. Perdera a luz, a referência, minha sala, minha vida, meus amigos!

O tempo parou! Não tinha mais o relógio na parede! 
-Oh! Pat! Como você pode fazer isso comigo? Pat! Pat! 
Gritei desesperadamente, mas não tinha para onde olhar. 
A escuridão estava por toda a volta! 

Minhas pernas ficaram sem forças, o medo e o desamparo eram tudo o que poderia sentir naquele momento, num completo nada! Até o som interno desaparecera, bendito ruído oco, era a minha companhia por muitas vezes!

Encontrara-me diante do completo silêncio e da extrema escuridão. Não conseguia nem pensar em que fazer, fiquei sem chão, sem referência, sem caminho!


Chorei amarguradamente! Senti as minhas mãos atoladas no suor do medo e das minhas lágrimas, num completo abandono, submerso num oceano de ausência de qualquer coisa! Estava finalmente a esmo! Completamente só! Nada mais restava.


Debrucei sobre o meu corpo, como se procurasse me enrolar no pavor, recolhendo-me ao que restara de mim: minha própria consciência, minha essência, minha dor! Era tudo o que tinha naquele momento, só a mim mesmo! Nada para olhar, para perseguir, nada para buscar, apenas a mim mesmo afogado na escuridão! 

Não havia tempo. Tudo era estático, a minha dor mesclada com o medo, o desamparo. Não conseguia controlar meus pensamentos. Perdi o rumo de mim mesmo, estava entregue à revolta sem saber em quem descarregar a minha emoção!
Como poderia viver nessa escuridão?

Não percebia o tempo, uma sensação estranha de impotência percorria meu corpo. Entreguei-me ao desespero, chorei amargamente, estava completamente envolvido em mim mesmo, como uma cobra acuada!

Pude ouvir um eco. Eram as minhas lamúrias e pavores, ecoando tudo o que sentia naquele momento. Parei de soluçar, não mais fiz barulho algum, procurei respirar fundo na busca de alinhar o meu ser. Nada mais ouvi, o eco cessou.

A escuridão e o silêncio eram as minhas companhias. Só haveria som se eu mesmo os produzisse. Levantei a cabeça para respirar. Esforcei-me para ficar de pé, não tinha onde me apoiar, não sentia nada a minha volta, nem embaixo e nem em cima. Era como se eu estivesse flutuando sem me deslocar para lugar algum, numa profunda ausência de luz!
Senti-me em pé, rodopiei em volta do corpo, olhei para cima e para baixo procurando alguma referência, nada! ABSOLUTAMENTE NADA!
Já me sentia buscando a mim mesmo. Abri os braços como se quisesse alcançar algo, mas não adiantava caminhar, não me deslocava, estava perdido num espaço sem rumo!
O tempo não passara, perdi o sentido da hora, do minuto, não sei se estive neste estado por um segundo, um dia ou um milênio! Simplesmente não havia o tempo, o vento, nada acontecera, apenas eu mesmo dentro do meu próprio ser, num vácuo absoluto!
Numa coragem interna que não sei de onde veio, entreguei-me, soltei o meu corpo de mim mesmo, abandonei meus pensamentos, não tive medo, apenas entreguei-me, não me sentia deslocando, nem caindo, tampouco subindo para algum lugar, estava simplesmente entregue ao vácuo! 
Sem chão, sem rumo, não mais via o meu corpo diante de tanta escuridão, não pude ver as minhas mãos nem meus pés, apenas sabia que estavam lá!
Absorto neste plasma do nada, neste buraco negro da minha própria alma, soltei-me completamente!
O tempo não havia, nenhuma referência de matéria, apenas eu mesmo entregue completamente! Pude sentir, pela primeira vez, a paz! A completa imersão em nada; solto vagando no imponderável!
De repente, senti minha energia sendo sugada com tamanha violência. Eu estava sendo expulso para todos os lados. Meu corpo estava se expandindo naquele etéreo sem fim. Senti-me vasto, amplo, eu estava sendo rasgado, e minha energia, meu corpo espalharam-se, mas a sensação era de que estava me ampliando, não sentia dor, uma força extrema agira sobre mim. 
Uma imensa explosão de Luz destruiu completamente o breu. Assustei-me. A claridade era tamanha que nada pude ver à minha volta, fiquei completamente cego diante de tanta Luz, era uma energia atômica que penetrava em mim! Aos poucos, tudo se tornara mais brando e pude ver a moldura da janela novamente!
- Meu Deus! A janela! Pat? Pat?....

Calei-me, não podia acreditar no que estava vendo, que emoção senti! Algo acontecera, estava tão claro que nada poderia enxergar do outro lado! Aos poucos, fui reconhecendo alguma coisa na janela.

Não era mais a minha sala! Não estava a Pat lá! Ainda me sentia confuso com tudo aquilo que passei. O que realmente estava acontecendo, que lugar é este? Tentei cerrar os meus olhos buscando diminuir a claridade e entender o que estava ali!

Quando tudo se tornou mais claro e pude ver com mais detalhes, espantei-me com que estava na minha frente:
-Meu Deus! Eu não acredito! O que será isso? - gritei extasiado.
 

Segue no 7º Capítulo...